O papel dos blogues do jornalismo de hoje foi o tema de um colóquio que trouxe a Guimarães bloggers e jornalistas portugueses. O debate teve lugar no Cybercentro no dia 7 de Dezembro e foi organizado pelo Gabinete de Imprensa, contando com a participação de Elisabete Barbosa, Manuel Pinto, Fernando Zamith e João Paulo Meneses.
Elisabete Barbosa , ex-jornalista da Rádio Universitária do Minho, é co-autora, com António Granado, do livro “Weblogs – Diário de Bordo”, e dos weblogs Jornalismo Digital e Jornalismo e Comunicação, onde são debatidos assuntos no âmbito da Comunicação.
Manuel Pinto é professor de Jornalismo na Universidade do Minho, tendo sido jornalista no Jornal de Notícias, órgão em que desempenha desde o início do ano as funções de provedor do leitor. É um dos dinamizadores e colaboradores dos blogs Jornalismo e Comunicação e Aula de Jornalismo.
João Paulo Meneses tem um longo percurso ligado ao jornalismo radiofónico, tendo passado pela RDP, Rádio Nova e TSF, onde ainda hoje se encontra. É também professor e responsável pelo weblog sobre rádio, jornalismo e jornalismo radiofónico “Ouve-se”.
Fernando Zamith é desde 1988 jornalista profissional da Lusa e professor desde 2002 na Universidade do Porto. Tem vindo a coordenar o ciberjornal JornalismoPortoNet e foi ainda co-autor do rockblog A Tenda dos Índios e autor do weblog Vilar de Mouros.
No debate “O papel dos blogues no jornalismo actual”, Manuel Pinto alertou para a importância dos blogues como “alavanca de um quinto poder”, uma “voz crítica” que faça um “trabalho de vigilância” do quarto poder, que foi dominado ou dominou os outros poderes. O professor da UM e “blogger”, entende ainda os blogues como uma “ferramenta que serve para alargar horizontes” e um “instrumento de cidadania”. Todavia, Pinto adverte que os “weblogues não são jornalismo”, mas “pode haver jornalismo nos blogues”, sublinha.
Para Elisabete Barbosa, os blogues apresentam várias vantagens no campo do jornalismo, tanto para jornalistas e jornais, como para os leitores, podendo servir, no caso dos jornalistas, para facilitar o contacto com os leitores, facilitar o recurso a novas fontes e “contribui para a clarificação do seu trabalho”. Na perspectiva dos jornais, este meio de comunicação “on-line” pode permitir uma “maior participação dos leitores” e uma maior empatia com eles, contribuindo para um aumento do espírito crítico e com papel importante na melhoria do produto final. Para os leitores, os blogues possibilitam uma “aproximação dos jornais” e um “enriquecimento pessoal”.
Já João Paulo Meneses, afirma que os blogues de jornalistas surgem, na maioria dos casos, como “resultado dos interesses dos jornalistas” ou por causa da opinião destes. Isto porque, segundo afirma, “a função jornalista é castradora”. ”Os jornalistas nunca emitem opinião e vingam-se nos blogues” que são uma “espécie de catarse” para essa castração, entende Meneses. Fernando Zamith, por seu turno, acredita que os blogues são a “ferramenta ideal para praticar jornalismo, por ser extremamente fácil utilizá-lo, e onde os comentários servem para incentivar a interactividade”. Todavia, a interacção entre os blogues e o jornalismo é vista ainda com algumas reticências por muita gente. “É uma ligação entre dois mundos que muita gente não acha que se devem ligar, se calhar por receio das duas partes”, afirmou Zamith.
O debate do passado mês de Dezembro foi a primeira de uma série de realizações que Cybercentro de Guimarães e Gabinete de Imprensa pretendem levar a cabo. Este entendimento deverá, a breve prazo, dar origem a um protocolo de colaboração entre as duas associações.
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